Quando os pais se separam

        A separação é um momento de muita dor para toda a família. Tanto o casal quanto os filhos precisam rever seus posicionamentos, sonhos e planos frente a nova situação. O que não é fácil para ninguém. Segundo pesquisas, a separação é  segundo maior fator de stress e sofrimento na vida. O primeiro é o luto. Na minha opinião, a separação tambem é um luto, pois representa a perda de uma condição familiar, de um(a) companheiro(a), onde tudo precisará ser re-organizado e re-planejado. Diante de tantas angustias os pais sentem-se perdidos e confunsos frente aos filhos, sem saber como se posicionar ou como ajudá-los. Surgem muitos sentimentos de culpa, o que acaba propiciando um ambiente onde tudo que os filhos pedem acaba por ser permitido na tentativa de diminuir a dor e a culpa.
       Bem, vamos refletir sobre isto. Em primeiro lugar, o sofrimento é inerente a esta situação, os pais estão deprimidos, tristes e naturalmente mais angustiados. Isso é natural e um direito. Os filhos também estão sofrendo, o que é natural. Encher os filhos de presentes ou de tudo pode, não ameniza a situação, nem ajuda em nada. Ao contrário, a longo prazo aparecerá um outro problema: que é a falta de limites. Sendo assim, os valores, conceitos e limites precisam permanecer na família independente da condição conjugal.
        Em segundo lugar, sofrer faz parte da vida. O que é necessário é aprender a enfrentar a situação de forma unida, verdadeira e com paciência. Situações de perda e dor acontecem diariamente com todos nós, algumas vezes com maior intensidade outras com menos, mas sempre acontece! Por isso, assumir que está doendo, que tem dias que se está mais deprimido que o normal é importante, isso é ser verdadeiro consigo próprio. E lembrar que os filhos passarão pela mesma realidade, terão dias mais fáceis e outros mais difíceis. O caminho neste sentido, é assumir o sentimento e expor a verdade, dizer "hoje não estou bem, me deixe mais quieto". A criança precisará escutar que a culpa não é dela, que não foi ela quem causou este sofrimento. E os pais precisam se lembrar que os filhos se entristecerem também não significa que são culpados, mas sim que os rebentos estão tentando elaborar esta nova situação e tem dias que a dor apertará mais. Então diga a eles que está disposto a conversar, ouvir sua dor e respeite caso façam criticas ou silêncio. 
        Em terceiro lugar, os pais precisam se lembrar que a separação acontece entre o casal NUNCA entre pais e filhos. Deixo de ser esposa, mas não deixo de ser mãe. Deixo de ser marido, mas não deixo de ser pai. Mãe e pai não se tornam amigos dos filhos após a separação, eles precisam continuar a ser pais: que estão presentes apoiando, cuidando, dando limites, regras e broncas. Isso não pode mudar, são esses comportamentos que confirmam para os filhos que os pais continuam vivos em sua vida.
       Normalmente quem sai de casa, o tradicional é ser o pai, tende a se afastar dos filhos. Não por falta de amor ou carinho, mas muitas vezes por não saber como se colocar frente a esta nova situação. Uma idéia é se lembrar de que os filhos sentem sua falta e muita. E que independente de quem tenha errado (se é que há um só culpado) os filhos são capazes de perdoar a separação. O que ofende é a ausência!
        E por ultimo, lembrar que a imagem dos pais não pode ser denegrida na mente dos filhos. Uma separação nunca se dá pelo casal ter ótima relação. Ao contrário, é sempre porque brigas e diferenças se sobrepõem as coisas boas. Então falar mal do conjugue surge quase que naturalmente. Entretanto, os filhos não devem ser expostos a isso. Não estou dizendo que os filhos não devem saber as verdades sobre os pais, mas que devem eles mesmo descobrirem isto, pela vivencia com cada um. Se a mãe critica o pai ou manda recado, expõe o filho a situações de tristeza e confusão. O mesmo vale para o pai e para os avós e parentes em geral. O filho precisa ser protegido das mágoas dos adultos. Quem se ofendeu foi o casal, os filhos são outro departamento. Mesmo em caso de traição. Quando um filho escuta criticas sobre seus pais, ficam confusos e sem saber como respeitar e até como amar a este outro. Ou seja, não ajuda em nada. Conforme crescerem e ficarem adultos perceberam as falhas de cada um, mas por si mesmo e não pela influencia de outro. 
        A separação é sempre dolorosa, contudo o posicionamento do casal frente aos filhos é que vai determinar se a situação se tornará traumatizante ou não. 

Reaprender a viver após uma perda.

       Falar em luto nunca é fácil. É um momento de dor, angustia e tristeza intenso. Onde a depressão fica a palavra de ordem. Tal como na adolescência se espera comportamentos e condições psiquicas que em qualquer outro momento da vida seriam considerados anormais e passivos de tratamento, no luto a condição depressiva é entendida como natural e até mesmo nescessária para elaboração da situação. Pois é muito, muito, muito duro re-aprender a viver sem aquela pessoa tão querida, e quanto mais próxima a pessoa era maior é a dor.
        Desta forma situações como momentos de desespero, desesperança, sensações de que tudo perdeu o sentido, choro, falta de cuidados consigo próprio e com os que ficaram e tantos outros atos são naturais nesta circunstância. Lembrando que cada indivíduo é único e reage diferente frente a dor, alguns se sentem sem forças para levantar da cama, enquanto outros querem viver cada dia com mais intensidade. É assim, cada um é um e vive o momento segundo sua história de vida lhe ensinou, por isso não se pode julgar que um sofre mais ou menos que outro, cada um sofre a sua maneira. 
        Por isso mesmo, algumas pessoas precisam de ajuda nesta hora, quando esta depressão passa a impossibilitar e prejudicar a vida, pode ser necessária uma avaliação psicológica e por vezes também psiquiátrica. 
        A família está num nível de sofrimento tão pesado que não aguenta (e nem se deve cobrar isso de ninguém) escutar um ao outro, cada um está fechado em si. E assim precisa ser, não há como ofertar consolo a alguém quando se está inconsolável. Contudo, conversar, desabafar, chorar e ser acolhido sem julgamentos nem represálias, ajuda muito nesta hora. Por isso um psicólogo pode ser de grande auxílio.
       Não há nada tão doloroso quanto perder alguém que amamos, é encarar a finitude e fragilidade da vida, como pode ser tranquilo? Para quem fica se faz necessário refazer os planos, os sonhos, a vida. Dói muito, porem é possível re-aprender.
        Aos poucos as lembranças tornam-se não mais fonte de tristeza e falta, mas sim de alegria, ficam belas e até mesmo uma fonte de conforto. No início parece impossível de acreditar nesta ideia, contudo, confie, vai acontecer!